filmes para assistir no Netflix

filmes para assistir no Netflix

Final de semana frio, você precisa conhece esse filme !

Não tema ! Explore novos cenários e se encante.

Descobri essa semana o filme chinês Pérolas no Mar, de 2018, produção chinesa exclusiva da Netflix, dirigida por Rene Liu.

Os dois personagens principais Jianqing e Xiaoxiao se conhecem no trem que sai de Pequim em direção ao interior, juntamente com centenas de outros, quando Xiaoxiao perde o bilhete do trem e Juanqing lhe dá o seu. Ela imediatamente interage com a turma do moço, já que a neve impede a passagem do trem e os quatro resolvem ir à pé.  Quando chegam a cidade se dispersam, mas acompanhamos Xiaoxiao chegar num quarto vazio onde não há mais qualquer familiar, nem referência, nem afeto, apenas a fuga, o vazio.

Ao contrário de Jianqing, que retorna a casa/restaurante do pai, onde passam o ano novo com a família. Comida farta, conversa boa, mas tudo muito simples.        Finalmente Xiaoxiao tem uma família.              E a significação se dá na passagem de Ano Novo.       Acompanhamos desde esse encontro até se tornarem um casal, a separação e o encontro anos depois.

Ele lhe diz, que só a infelicidade produz uma boa estória, a felicidade não.

De seu amor por ela, das dificuldades da vida, de termos contato com uma nova cultura, a chinesa, e da tristeza após ser abandonado, desenvolve um jogo para internet em que Ian tem de encontrar Kelly, e, vira febre, sendo que ao final ele lhe pede desculpas por não conseguir encontrá-la.

Vale muito mas muito a pena, os atores são ótimos, Boran Jinq e Dongyu Zhou, confira.

DESCOBERTA DA SEMANA

DESCOBERTA DA SEMANA

Eleanor & Park, de Rainbow Rowell

Publicado pela Editora Novo Século

Esse livro me escolheu essa semana.

Sim, eu olhei pra ele, ele olhou pra mim, e, sim, nos conhecemos. Ler é explorar. Não é como muitos dizem uma ausência de atividade, pelo contrário, enquanto lemos nossa imaginação faz com que todos os nossos sentidos sejam requisitados.

A leitura é fluida e o tema essencial nos dias de hoje. Adolescentes. Dois párias, um mestiço e uma menina esquisita. Um introspectivo, filho mais velho de pai combatente na Guerra do Vietnã que se apaixona por uma coreana e a traz para casa, casa-se e se amam. Sua aparência mestiça o marginaliza, fora dos padrões. É Park.

Eleanor, é filha de mãe submissa, companheira de homem violento e alcoólatra, tem outros quatro irmãos, vivem numa pobreza extrema, e, sua estranheza nas roupas, no cabelo ruivo revolto grita por ajuda.               As roupas são compradas são compradas em brechós, masculinas, grandes, rasgadas, fora de moda, customizadas com colares e pulseiras que não decoram mas escondem as imperfeições.

Todos os irmãos dormem num único quarto, comem quando conseguem, e, permanecem todos trancados no quarto, juntos, para não perturbarem o “ pai”. Sim, o companheiro só é pai do recém nascido, o pai biológico sequer se interessa ou os auxilia, só a chama uma única oportunidade para trabalhar de babá uma noite de seu novo filho com sua nova esposa.      E ainda lhe é prometido 20dólares mas ele só lhe paga 5dólares.

Privacidade, nenhuma.

Bom, ela é inteligente, perspicaz.

E, o livro inicia com o drama do primeiro dia de aula, para ela, e, o famoso ônibus escolar americano. Todos os assentos já estão ocupados, claro. Ninguém é amistoso.  Mas a motorista manda que sente já que  o ônibus não pode circular com passageiros em pé, por medida de segurança, lógico.

E, assim, olha ao redor e vê um lugar vago junto a janela, olha, e, Park, encosta e lhe dá a vaga do corredor.       A analisa, julga e torce para que no próximo dia, ache um outro lugar.

Contudo, o convívio e a solidão de ambos é tão desesperadora que, consegue perceber o interesse de Eleanor por HQs, que são sua paixão, assim como a música, Smiths, U2,The Cure, e, outras bandas poéticas, cantando toda a solidão e a busca por um caminho. Enquanto lê no ônibus, persegue estar Eleanor lendo com ele, e, até demora para virar a página aguardando que ela também tenha lido. No dia seguinte, já lhe traz uma pilha para que ela leve para casa, x-Men, Watchmen, Batman, e, esse é o seu tesouro…uma coisa só sua, enquanto os irmãos assustados amontoam-se perto da porta enquanto a mãe apanha do companheiro…ô vida difícil.

Quando os amigos do fundo, o eterno jogador limitado e a sua namorada bonita e malvada _ estereótipos claro,já que não nos aprofundamos em suas estórias. Park lhe dá um dos fones, e, Eleanor conhece os Smiths… Park lhe empresta a fita, ela recusa, ele não sabe porquê, mas ela…sequer tem um discman ! E quando ele lhe empresta o discman, recusa, não tem dinheiro sequer para comprar pilha! Sim, e ele lhe empresta com as pilhas, afinal aquilo para ele é normal, ter dinheiro para poder ouvir suas musicas! Nem imagina outro cenário.

E para ela…é o paraíso. Na escola se destaca nas aulas de literatura com um olhar diferenciado e os professores a destacam.            Obviamente é perseguida no vestiário após a aula de educação física pela Tina e suas amigas, mas também porisso, encontra outras marginalizadas como ela, e, formam um grupo para almoço.

Ambos esperam o início e o término das aulas, para no ônibus desfrutarem da presença um do outro. Ele até tenta ir a casa de Eleanor, mas essa lhe pede que nunca mais faça isso, daí, a alternativa, é ela quem começa a frequentar a casa de Park. No início é rechaçada pela mãe, que julga a aparência e o desleixo da menina, mas o pai do rapaz, a acolhe. Para Eleanor não é fácil. Park tem uma família constituída, pai, mãe, irmão, avós, todos convivem, não há briga ! Apenas ajustes, comuns no crescimento de todos.   A mãe tem um pequeno salão na garagem, mal fala inglês, e, sim, cuida do cabelo de Tina.

As visitas se estendem, e, o convívio chega a jantar todos os dias com a família, em seguida, Park a leva até parte do caminho.    A amizade vai se tornando necessidade, e o afeto, estranho a ambos, vai se apresentando sob diversas maneiras, a preocupação com o outro, o carinho, a aceitação, todos os sentimentos necessários para o crescimento pessoal e ajustamento com a vida adulta.

O ápice da estória acontece quando o companheiro se exalta a tal ponto que Eleanor e os irmãos no quarto, ouvem tiros. Ela escapa pela janela e vai até o vizinho, que a trata pessimamente, e, chama a polícia. Obviamente quando a polícia chega, sendo o companheiro já conhecido na cidade,já não há qualquer vestígio.

Ela sabe que seu tempo ali acabou, e, que tem que buscar ajuda, pensa na tia, irmã de sua mãe, em outra cidade mais distante. Avisa Park, e, como ela nem tem o dinheiro para comprar uma passagem de ônibus, se prontifica a levá-la de carro, a mãe empresta seu carro.  O pai ao saber, empresta o seu.

No caminho, sentem que irão separar-se, que não haverá mais os encontros no ônibus, os jantares na casa de Park…mas o motivo é mais forte e não há como escapar.       Ele a deixa na porta da casa da tia, uma despedida simples e rápida.       

A separação…ele lhe manda cartas todos os dias, mas Eleanor não responde… Muitas das coisas perderam a graça para Park, mas, o carinho, e porquê não o amor é maior…o livro acaba com Eleanor, já estável, lhe mandando um postal.

Lindinho, aconselho a todos, adultos, adolescentes. Uma leitura importante que não pode ser banalizada mas lida como um relato perspicaz e delicado da condição humana, do crescimento e desse momento tão crucial de perceber não sermos mais crianças e enfrentar problemas adultos.  

livros para ler calmamente em suas férias


Afundo no assento e fecho os olhos. Relaxo o corpo completamente. 
— Escute, Oshima.
— Que é?
— Eu já não sei mais o que fazer. Não sei nem para onde estou indo. Nem o que é correto, nem o que é errado. Não sei se devo seguir adiante ou voltar atrás. 
Oshima continua quieto. Não responde.
— Que é que eu faço, Oshima? — pergunto. 
— Não faça nada — responde ele simplesmente.
— Absolutamente nada?
Oshima assente com um meneio de cabeça.
— É por isso que o estou levando para o meio da montanha.
— Mas o que é que eu faço no meio da montanha?
— Ouça o vento — diz ele. — Eu sempre faço isso.
Penso a respeito. 
Oshima estende a mão e a depõe gentilmente sobre a minha.
— Você não tem culpa das coisas que aconteceram. Nem eu. Nem a profecia, nem a maldição. Tão pouco o DNA ou a irracionalidade têm algo a ver com elas. Nem o estruturalismo, nem a Terceira Revolução Industrial, por falar nisso. Nós todos somos destruídos e desaparecemos porque o mundo se estrutura sobre destruição e perda. Nossa existência é apenas um teatro de sombras desse princípio. O vento sopra. Há vendavais de furioso poder destrutivo, há brisas reconfortantes. Mas todo vento um dia cessa e desaparece. O vento não é matéria sólida. É mero nome que se dá aos deslocamentos de ar. Você apura os ouvidos. E decifra o sentido dessa metáfora. (…) Dentro em pouco, você vai estar sozinho no meio da montanha e fará coisas para você mesmo. É chegado o momento para isso. 
— Coisas para mim mesmo?
— Apure os ouvidos, Kafka Tamura — diz Oshima. — Apure os ouvidos. Preste atenção, como se fosse um molusco.

Haruki Murakami, in: Kafka à Beira-Mar. — Rio de Janeiro: Alfaguara, 2008, pág. 412, 413.

Coração de Leão – O amor não tem tamanho

Coração de Leão – O amor não tem tamanho

Pode até parecer bobinho e uma receita já demasiadamente usada, mas, os atores principais são magnéticos, você ri, chora, torce para que tudo acabe bem… mas isso você só vai saber se assistir.           Ele te ensina a que o melhor modo de viver é se aceitando e que temos que conviver com quem nos aceite e escolhemos.

O fato é que este filme baseia a sua única originalidade no pressuposto (ele próprio já um pouco preconceituoso) de que uma mulher bela e de estatura comum dificilmente se apaixonaria por um anão. O nanismo não é tratado de maneira natural, muito pelo contrário. Toda a direção é pensada de maneira a ressaltar a diferença de tamanho entre os dois, como na cena em que almoçam juntos, e o enquadramento compara-os lado a lado, sentados em cadeiras iguais – os pés dela firmes no chão, os dele balançando no ar.

Quando León vai tropeçar em alguém na rua, uma musiquinha antecipa alegremente o fato; quando ele fica preso no alto de um móvel da cozinha, a montagem faz a cena durar uma eternidade, aparentemente para deixar o público rir à vontade, resenha de adorocinema.

Lançado no Brasil em 19 de junho de 2014,filme argentino, dirigido por Emilio Kauderer, com Guillermo Francella, Julieta Diaz e grande elenco.

Método Kominski ( The Kominski Method) – seriado

Método Kominski ( The Kominski Method) – seriado

Michael Douglas ganhou um Emmy pelo Método Kominski e, digo, foi mais do que merecido. Conhecemos um Michael Douglas que não usa retoques e se aceita como é. O elenco é bem enxuto e afinado, e, você só irá desgrudar quando acabar todos os episódios e, ainda vai ficar com gostinho de quero mais por que acabou ? Alan Arkin surpreende como um coadjuvante único e capaz de alçar Michael Douglas a uma atuação surpreendente.

Arrisque-se, você vai amar.

Criada por Chuck Lorre, lançada em 16 de novembro de 2018, são 08 episódios com 25 a 30 minutos de duração cada, tendo no elenco Michael Douglas, Alan Arkin, Nancy Travis, Sarah Barker.

Foi premiada com dois Globos de Ouro melhor série de comédia, e, melhor ator em série_Michael Douglas.

LIVRO ADAPTADO PARA O CINEMA – A ESPOSA, Meg Wolitzer

LIVRO ADAPTADO PARA O CINEMA – A ESPOSA, Meg Wolitzer

Sim, Glenn Close, já ganhou o Globo de Ouro em filme dramático.

Vai ganhar porquê encarnou a personagem de modo único e conseguiu, se é que é possível, enriquecer a mulher descrita por Meg Wolitzer em seu livro “ The wife” sem tradução pra o português ainda.     E também, porquê é um tema muito importante para ser discutido.

Num primeiro momento verifica-se que o marido usa o talento de sua esposa que é quem escreve as obras que o levam ao Nobel, mas, ao narrar sua estória, a esposa confessa que se não tivesse “ sido usada” pelo marido, não teria tido a possibilidade de escrever e desenvolver todo seu potencial.

Afinal uma das melhores cenas do livro e do filme é o conselho de sua professora, da mulher intelectualizada ser invisível aos olhos dos homens.

Sim, ainda somos.

Mas, para quê precisamos aparecer ? Nós ocupamos nosso espaço pelo talento, pela genialidade, deixamos marcas.

Aparecer é consequência.

Lógico que não para todos, somente para os interessantes que enxergam.        Sempre digo que não é possível agradar a todos, afinal nem a votação de miss simpatia consegue ser unânime, e eu, logo eu vou ter essa pretensão ?

Assista, vamos discutir, só desconfie de seus primeiros ímpetos, mas, ainda que não concorde comigo, não deixe de assistir.

‘ The wife”, adaptação do livro de Meg Wolitzer com roteiro de Jane Anderson, dirigido por Bjorn Runge, com Glenn Close_indicada ao Oscar de Melhor Atriz, ganhou o Globo de Ouro em filme dramático, Jonathan Pryce, Christian Slater, Elizabeth McGovern e grande elenco.